SHAYKH NAZIM
 
("The Naqshbandi Sufi Way",  Shaykh Hisham Kabbani, KAZI Publications)
 
Shaykh Muhammad Názim Adil Al-Haqqaní Al-Qubrusi é o Imam da gente sincera, o segredo da Santidade, que vivificou a Ordem Sufi Naqshbandi neste final do século XX, com guia Divina e moral profética.

Ele infunde na Comunidade e no Planeta o amor de Alláh, e o amor daqueles que amam Alláh depois de estarem consumidos pelo fogo e a fumaça da aflição e do terror, da cólera e da dor.

Ele é aquele que revela o segredo, o custódio da luz, o Shaykh dos Shuyukh (pl. de Shaykh), o sultão dos ascetas, o sultão dos pios, o sultão do povo da Verdade. Ele é o Mestre supremo sem igual no Conhecimento Divino nesta época. Ele é a chuva do oceano de conhecimento da Ordem Naqshbandi, que está restituindo vigor aos espíritos em toda parte do mundo. Ele é o Waly dos sete continentes, sua luz atrai discípulos de cada canto do universo. Ele veste o manto da luz da Divina Presença. Ele é único no seu tempo. Ele é a orquídea plantada no terreno do Amor Divino. Ele é o sol para todo o universo. Ele é reconhecido como o Waly das duas alas: o conhecimento externo e o conhecimento interno.

Shaykh Názim nasceu em Larnaka, Chipre, a 23 de abril de 1922. Pelo seu pai, descende do grande santo sufi ‘Abd al-Qádir adj-Djiláni, fundador da Ordem Sufi Qadiri. E pela sua mãe, descende de Mevlana Jalaluddin Rumi, fundador da Ordem Sufi Mevlevi. Pelo pai ele é “Hasaní-Husayní”, isto é, descendente do Profeta Muhammad (s.a.w.) pelas duas linhagens possíveis passando pelos netos do Profeta, Hasan e Husayn, filhos do quarto Khalifa “corretamente guiado”, Ali ibn Abi Talib e Fátima, a amada filha do Profeta.

Do pai recebe a Ordem Sufi Qadiri, e da mãe, a Ordem Sufi Mevlevi.

Na infância, foi educado pelo avô, que era Shaykh da Ordem Qadiri, reputado calígrafo no império Otomano; ele lhe ensinava disciplina e espiritualidade.

Desde jovem aconselhava as pessoas e podia predizer o futuro. Aos cinco anos de idade, fugia de casa para ir à mesquita ou à tumba de Umm Hiram, uma companheira do Profeta. Com ela conversava; dialogava com o espírito daquela que fora enterrada nesse lugar há quatorze séculos atrás!

Seu pai o fazia estudar cultura geral durante o dia e religião à noite. Aprendia leis islâmicas, Al Qur’an, os Ahadith (pl. de Hadith), jurisprudência e lógica. Ao mesmo tempo participava das reuniões dos qadiris e mevlevis.

Fez o segundo grau no liceu turco de Nicósia, e em 1940 instalou-se em Istanbul. Estudou engenharia química e obteve o seu doutorado; ao mesmo tempo progredia no aprendizado de Shariah e lingua árabe junto de seu primeiro Shaykh, Jamaluddin al-Lasuni, que morreu em 1955.

Durante seu primeiro ano em Istanbul encontrou a pessoa que o iniciou na Ordem Naqshbandi, o Shaykh Sulaymán Arzurumí, falecido em 1948.

Aprendia engenharia química na Universidade e disciplina naqshbandi - paralelamente às Ordens Qadiri e Mevlevi - com seu mestre. À noite podia ser visto na mesquita Sultan Ahmad em estado de meditação; ali mesmo fazia a oração do amanhecer - salat al-fadjr.

Mas certo dia, numa visão intensa ele vê o Shaykh Sulaymán Arzurumí que lhe diz: “Neste momento chegou tua autorização. Teu segredo, tua herança, tua guia espiritual não está mais comigo. Me fostes confiado até estares pronto para encontrar o teu verdadeiro shaykh, que é o meu, Shaykh ‘Abd Alláh ad-Daghestaní. Tua chave está nas suas mãos. Vai ao seu encontro em Damasco. Esta autorização vem de mim e do Profeta”. Ele correu para ver o Shaykh Arzurumí que estava na mesquita; lá, este lhe disse: “Então meu filho, estás feliz com tua visão?” O shaykh sabia de tudo. E confirmou-lhe que deveria viajar a Damasco imediatamente. Não lhe deu endereço ou qualquer outra informação, salvo o nome do Shaykh ‘Abd Alláh.

Após algumas peripécias e ajudas espirituais, notadamente a que lhe foi dada pelo Muftí de Trípoli (Líbano) que o assistiu sob a ordem do Profeta, Shaykh Názim chegou a Damasco sem endereço algum. Antes passara por Hama e Aleppo, cidades antiquíssimas.

Eram dias da Segunda Guerra Mundial, e chegar a Damasco lhe era impossível. Os franceses, que ocupavam a capital síria, se preparavam para um ataque dos ingleses. Por isso viajou para Homs, onde está a tumba de Khalid ibn Walid, um companheiro do Profeta.
 
Visitou Khalid ibn Walid e depois entrou na mesquita para rezar. Foi quando um servidor aproximou-se e lhe disse: “A outra noite sonhei com o Profeta que me disse: “Um dos meus descendentes virá aqui amanhã.” E hospedou-o naquela mesquita por um ano. Não saia senão para rezar ou para estar em companhia de dois eminentes eruditos, que ensinavam recitação corânica e exegesis, a Tradição e a jurisprudência. Eles eram Shaykh Muhammad Ali Uyun as-Sud e Shaykh ‘Abd ul-Aziz Uyun as-Sud, o Muftí de Homs. Frequentava também o círculo de dois mestres espirituais naqshbandi, Shaykh ‘Abd ul-Jalil Murad e Shaykh Said as-Saba’i. Mas o seu coração desejava ardentemente chegar a Damasco. Porém a guerra era intensa e decidiu ir a Trípoli, daí a Beirute, e desta a Damasco por uma estrada mais segura.
 
Em 1944, Shaykh Názim chegou a Trípoli de ônibus. Era um estrangeiro. Não conhecia ninguém. Andando pelo porto percebeu que do outro lado da estrada alguém vinha em sua direção. Era o Shaykh Munir al-Malek, o Muftí de Trípoli; ao mesmo tempo era o shaykh de todas as ordens sufis da cidade. Aproximou-se e lhe disse: “Você é o Shaykh Názim? Sonhei com o Profeta que disse: “Um dos meus descendentes está chegando a Trípoli. Ele fez-me ver tua imagem e indicou-me que te cercasse neste lugar e que tomasse conta de ti.” Esteve com Shaykh Munir por um mês. Ele organizou-lhe a viagem a Homs e dali a Damasco.
 
Chegou a Damasco numa sexta-feira de 1945, no início do ano muçulmano. Só sabia que Shaykh ‘Abd Alláh morava no bairro de Hayy al-Maidan, vizinho a tumba de Bilal al-Habashi e de muitos descendentes da família do Profeta.
 
Por causa dos bombardeios as ruas estavam desertas. Shaykh Názim procurava a casa do Shaykh ‘Abd Alláh: “Eu examinava dentro do meu coração - conta ele mesmo - para saber qual era a casa do Shaykh. Nesse instante me apareceu numa visão, uma casa bem específica com porta bem específica também. Procurava ao redor onde estava tal porta... No mesmo instante em que me aproximei da que me parecia ser ela, o Shaykh a abriu dizendo: “Bem vindo, oh meu filho Názim Effendi.”
 
Shaykh Názim ficou com o Shaykh ‘Abd Alláh para a oração da noite; dormiu e acordou para as orações super-rogatórias da manhã que fez junto dele; Shaykh ‘Abd Alláh disse que, é especialmente dentro do período da noite que precede a aurora, que o espírito do mestre vem visitar o discípulo.
 
“Na minha vida - relata Shaykh Názim - nunca havia experimentado um poder similar como na sua oração. Parecia estar na Presença Divina e o meu coração, atraído na sua direção. E tive uma visão. Eu me vi subindo uma escada do nosso lugar de oração em direção a “Bayt - al-Mamur”, a Ka’abah do céu, degrau após degrau. Cada degrau era um estado espiritual no qual o meu Mestre me submergia. Por cada estado espiritual recebia um conhecimento específico no meu coração. Palavra, frase e sentença eram unidas de maneira estupenda, transmitidas no meu coração em cada estado espiritual ao que era elevado quando chegamos a “Bayt - al-Mamur.”
 
“Lá, vi os 124.000 Profetas que estavam enfileirados para a oração com o Profeta Muhammad. Vi os 124.000 companheiros do Profeta enfileirados atrás deles. Vi 7.007 santos da Ordem Naqshbandi atrás deles para a oração. Vi também 124.000 santos de outras ordens sufis estarem em fila. À direita de Abu Bakr as-Siddiq havia vago dois lugares: Grandeshaykh (‘Abd Alláh) me puxou nessa direção e assim fizemos a oração da alba.”
 
“Na minha vida - continua Shaykh Názim - jamais experimentara uma doçura como naquela oração. O Profeta Muhammad dirigia a oração, e a beleza de sua récita era indescritível. Com o fim da oração acabou a visão; e senti o meu Shaykh me dizer para fazer a chamada à oração da alba.”
 
“Fizemos a oração da alba. Fora escutava-se o bombardeio dos dois exércitos. Ele iniciou-me na Ordem Naqshbandi e disse-me: “Oh meu filho, tenho tal poder que em um segundo posso fazer aceder ao discípulo à sua estação espiritual”. Acabou de dizer isto e dirigiu o seu olhar ao meu coração, ao mesmo tempo em que a cor dos seus olhos cambiava de amarelo para vermelho; após branco; após verde e negro no final.”
 
“Apenas a cor do olho cambiava e inseria no meu coração o conhecimento associado a cada cor. A luz amarela foi a primeira, e corresponde a estação do Coração (latífat al-qalb). Ele colocou dentro do meu coração todo tipo de conhecimentos externos necessários à vida diária das pessoas. Em seguida me introduziu na estação do Segredo (latífat as-sirr), a estação do conhecimento das 40 Ordens Espirituais que provém de ‘Ali ibn Abu Talib (r.a.). Me converteu em mestre de todas essas ordens. Enquanto me transmitia o conhecimento deste estado, seus olhos estavam vermelhos. O terceiro estado que é o Segredo do Segredo (latífat sirr-as-sirr), é permitido somente aos mestres da Ordem Naqshbandi, cujo Imam é Abu Bakr as-Siddiq (r.a.). Quando depositava este conhecimento no meu coração, seus olhos eram brancos. Depois ele me levou ao estado do Oculto (latífat al-khafiyya), a estação do conhecimento espiritual oculto, e seus olhos eram verdes. Em seguida me levou a estação da total aniquilação, o estado do Mais Oculto (latífat al-akhfá): seus olhos ficaram negros. Daqui me levou à Presença de Deus. Depois me entregou à normal existência.”
 
“Meu amor por ele era tão intenso que imaginava não poder afastar-me dele; não desejava outra coisa senão ficar ao seu lado e servir-lhe durante toda a minha vida. Depois chegou a tormenta; o tornado e as turbulências ameaçaram a calma. A prova era gigantesca. Meu coração desesperou quando ele disse: “Meu filho, tua gente precisa de ti. Te dei o suficiente por hoje. Vá para Chipre hoje mesmo.”
 
“Passei um ano e meio para encontrá-lo, não estive mais que uma noite com ele e me ordenou retornar a Chipre, um lugar que não via desde os cinco anos. Era uma ordem tremenda, mas na Via Sufi, o discípulo deve se submeter à vontade de seu Shaykh.”
 
“Após beijar suas mãos e seus pés, pedi autorização e me encaminhei a Chipre. A Segunda Guerra estava por terminar. Não havia qualquer meio de transporte.”
 
Após numerosas dificuldades viajando em boléia de caminhão e pequenas embarcações, Shaykh Názim chegou a Chipre. Ele conta que após a sua chegada, teve uma visão espiritual despontando em seu coração: “Vi GrandeShaykh ‘Abd Alláh me dizer: ‘Oh meu filho, nada te impediu me obedecer; fizeste grande coisa em me escutar e em aceitar. Doravante, sempre te serei visível. Cada vez que dirijas teu coração para mim, terei para o interrogante que tenhas, uma resposta da Divina Presença. Cada estação espiritual que atinjas, te será dada graças a tua completa obediência. Os santos estão satisfeitos contigo, o Profeta está satisfeito contigo.’ Assim que ele disse essas palavras, senti-o ao meu lado e depois ele jamais me abandonou.”
 
Shaykh Názim começou a ensinar em Chipre e constituiu um grupo importante de discípulos. Porém, nessa época, a religião fora proscrita e estava proibido fazer a chamada à oração. Sua primeira ação foi chegar à Mesquita e fazer a chamada em árabe. Imediatamente foi preso, e lá permaneceu por uma semana. Logo que o soltaram, foi à Grande Mesquita de Nicosia e em seu minarete chamou a gente à oração. Isto provocou uma resposta violenta por parte do governo. Eles denunciaram-no. Enquanto esperava o resultado de seu processo, andou por toda Nicosia, chamando à oração nos minaretes. Como resultado, um monte de denúncias; em total somavam 114. Seus advogados o aconselharam parar de fazer as chamadas e ele lhes disse: “Não, não posso, as pessoas devem escutar a chamada à oração.” Se condenado, teria que estar mais de 100 anos na cadeia. No mesmo dia se conheceram os resultados das eleições na Turquia. Uma pessoa de nome Adnam Menderes foi eleita presidente. Sua primeira ação foi a de abrir todas as mesquitas e permitir a chamada à oração em árabe. Isto foi um milagre de nosso GrandeShaykh.
 
Shaykh Názim retornou a Damasco em 1952, onde casou-se com uma das discípulas de Shaykh ‘Abd Alláh, Hajjah Amina. Lá, nasceram seus quatro filhos, duas moças e dois garotos.
 
Certo dia Shaykh ‘Abd Alláh lhe disse: “Recebi a ordem do Profeta de te por em retiro espiritual dentro da mesquita de ‘Abd al-Qádir adj-Djilâni, em Bagdá. Vá e faça um retiro de seis meses.”
 
Shaykh Názim partiu imediatamente, sem nem mesmo passar pela sua casa para buscar alimento ou dinheiro. Ele conta: “Quando entrei na mesquita de Shaykh ‘Abd al-Qádir, encontrei uma espécie de gigante que estava a ponto de fechar a porta e me disse: “Shaykh Názim?” Respondi “sim”. Ele me disse: “Eu sou encarregado de te servir enquanto tu estejas aqui, vem comigo!”
 
“Me surpreendi apesar de que dentro de meu coração sabia que neste caminho tudo está organizado pela Divina Presença. Segui-o até que aproximou-se da tumba do “Grande Intercessor ao Pé do Trono”. Cumprimentei meu bisavô, ‘Abd al-Qádir, e meu guardião acompanhou-me até um quarto dizendo-me: “Cada dia te darei uma tijela de lentilhas e um pedaço de pão.”
 
“Não saía senão para as cinco orações cotidianas. Diariamente lia Al Qur’an em nove horas. Recitava 124.000 La ilaha ilalláh, 124.000 vezes a Bendição do Profeta, recitava completamente “Dalail al-Khayrat” (um livro de orações sobre o Profeta), e repetia 330.000 Alláh, assim como todas as orações que me foram encomendadas.”
 
“As visões se sucederam uma atrás da outra até que fui aniquilado dentro da Presença Divina.”
 
“Um dia tive uma visão na qual Shaykh ‘Abd al-Qádir me chamava em sua tumba. Ele disse: “Oh meu filho, eu te aguardo em minha tumba, vem!” Imediatamente tomei uma ducha, fiz duas rukut e me dirigi à sua tumba, que estava a alguns passos de meu quarto. Quando cheguei, entrei em estado de contemplação e lhe disse: “A paz seja sobre ti, oh meu avô!” Instantaneamente, o vi sair de sua tumba, ficando ao meu lado. Atrás de mim havia um enorme trono decorado com gemas preciosas. Ele me disse: “Vem comigo e senta sobre esse trono.” Assim nos sentamos como um avô com seu neto. Ele me sorriu e disse: “Estou satisfeito contigo. A estação de teu Shaykh ‘Abd Alláh al-Fá’iz ad-Daghestani é muito elevada dentro da Ordem Naqshbandi. Eu sou teu avô. Agora te transmito diretamente o poder espiritual que disponho como Intercessor ao Pé do Trono. Eu te inicio assim à Ordem Qadiri.”
 
“Logo apareceram o Profeta (s.a.s.), Shah Naqshband e Shaykh ‘Abd Alláh. ‘Abd al-Qádir e eu ficamos em pé em respeito a todos eles. Shaykh ‘Abd al-Qádir disse: “Oh Profeta, Oh Mensageiro de Deus, eu sou o avô deste neto. Sou tão feliz de seu progresso espiritual na Ordem Naqshbandi que lhe ajudarei com meus poderes espirituais.” O Profeta sorriu e olhou Shah Naqshband, e Shah Naqshband olhou GrandeShaykh ‘Abd Alláh. Esta era a forma correta, porque naquela época Shaykh ‘Abd Alláh era o Mestre vivo da época. Este passou o segredo da Ordem Naqshbandi, recebido do Shah Bahauddin Naqshband através da linha do Profeta (s.a.w.) a Abu Bakr as-Siddiq (r.a.), adicionando à influência espiritual do Shaykh ‘Abd al-Qádir adj-Djilâni, o poder da Ordem Naqshbandi.
 
Quando Shaykh Názim terminava o retiro e estava por partir, foi à tumba do Shaykh ‘Abd al-Qádir para cumprimentá-lo. Este lhe apareceu fisicamente e lhe disse: “Oh filho meu, estou muito feliz do nível espiritual que tens alcançado na Ordem Naqshbandi. Eu te renovo a iniciação à Ordem Qadiri.”
 
Depois Shaykh ‘Abd al-Qádir lhe disse: “Oh meu neto, vou fazer-te um presente pela tua visita.” Ele o abraçou e lhe deu 10 moedas da sua época, não da nossa. Shaykh Názim as conserva até hoje.