ONZE PRINCÍPIOS PARA OS EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS
DA ORDEM SUFI NAQSHBANDI
A Ordem Sufi Naqshbandi é composta pelos ensinamentos do Profeta
Muhammad (saws) como revelados a Hazrat Abu Bakr as-Siddiq (raa). De lá,
progressivamente através dos séculos, traçou sua fonte
educacional, incluindo os ensinamentos e as experiências da linhagem
dos Khwajagan (sing. Khwaja), os “Mestres de Sabedoria”. O primeiro dos
mestres em receber o título de Khwaja foi Yusuf al-Hamadani.
Esta ordem sufi está estritamente dentro da Shariat. Além
das cinco orações obrigatórias, existem exercícios
super-rogatórios Nawáfil dia e noite, recitação
do Sagrado Al Qur’an, e realização de Dhikr de Awrád
(sing. Wird) especiais. Estes Awrád são baseados nos 99 Nomes
de Alláh, e Salawat ila Rasul Alláh (saws).
Numa ordem sufi, a qual está sob a Shariat, a primeira coisa
que se aprende é o respeito. O respeito pelo mestre, e pelo portal
de conhecimento do qual está se aproximando. Você está
aprimorando um método de como reconhecer Shaitan, e como controlar
seus desejos mundanos. O Shaykh irá mostrar como matar seu ego,
a fim de que possa renascer, e então ir em frente e servir ao Islam.
A visão que desenvolverá depois de ter morrido de tal forma
é tremenda, não tem mais qualquer obstáculo à
sua frente, e está totalmente dedicado a Alláh. Assim, isto
são os Sufis Awliyá que expandem o Islam em toda a Ásia
Central, Sudeste da Ásia, Europa, América, etc.
O mestre mais famoso da Ordem Naqshbandi é de Bukhara, Ásia
Central. Trata-se do venerável Muhammad Bahauddin Awais al-Bukhari,
o qual foi reconhecido como Ghawth, e passou à posteridade com o
título de Shah-e-Naqshbandi, epônimo da Ordem. De seus discípulos,
duas linhagens difundiram-se, uma em direção ao Oeste e a
outra ao Sul, penetrando no subcontinente da Índia, onde Awliyá
(sing. Walý) como Khwaja Muhammad al-Baqi Bi-Lláh e Shaykh
Ahmad Faruq Sirhindi, conhecido como Hadrat-Mujaddidí al-Alf at-Tháni
(o Vivificador do segundo milênio), tornaram-se conhecidos como Khwajagan
Naqshbandi.
Shah-e-Naqshbandi é descendente de Rasul Alláh (saws),
estando relacionado pelos Imam Hasan (raa) e Imam Husayn (raa), filhos
de Hazrat Alí ibn Abi Talib (raa), e a filha do Profeta iluminada
pela luz espiritual, Fátima az-Zahrá (raa).
Os onze princípios seguintes mostram o exercicío-chave
da Tariqa Naqshbandi. Os primeiros oito foram formulados por Khwaja Abd
al-Khaliq al-Ghujduwani, um dos grandes Shuyukh do Turquestão e
quarto wakil do Khwaja Yusuf al-Hamadani, e os tres últimos foram
acrescentados por Khwaja Bahauddin Naqshbandi.
Princípios da Taríqa Naqshbandi
1 - HOSH DAR DAM: Consciência durante a respiração
- A técnica de controle da respiração. Khwája
Bahauddin disse: “O fundamento externo dessa Taríqa é a respiração”.
Não se deve inspirar em esquecimento nem expirar em esquecimento.
2 - NAZAR BAR QADAM: Observar os passos - Deixe o buscador sempre
estar atento durante sua jornada, seja qual for o tipo de situação
que ele esteja passando; que ele não deixe que seu olhar seja distraído
do objetivo de sua jornada.
3 - SAFAR DAR WATAN: Viajar em sua terra natal - É uma
viagem interior, o movimento das qualidades de digno de culpa ao de louvor.
Outros se referem a esta regra como a visão ou revelação
do lado oculto da Shahada (Ashhadu an la ilaha ill-Alláh wa ashhadu
an’na Muhammadan rasul Alláh).
4 - KHALWAT DAR ANJUMAN: Solidão na multidão -
O caminho do buscador, embora exteriormente ele esteja no mundo, interiormente
ele está com Alláh. Os mestre da Taríqa disseram:
“Nesta Taríqa, a associação está na multidão
(assembléia), e a dissociação na KHALWA”. A prática
semanal em conjunto é para que se possa realizar o dhikr em grupo.
5 - YAD KARD: Recordar, trazer à memória - Ambos,
oral e mental. Estar sempre repetindo o dhikr revelado para que possas
atingir a visão beatífica. Khwaja Bahauddin disse: “O objetivo
no dhikr é que o coração esteja sempre consciente
de al-Haqq (Nome de Alláh), para que sua prática expulse
a desatenção.
6 - BAZ GASHT: Restrição - A pessoa dizendo o
dhikr, quando absorvido na repetição do coração
da frase abençoada (Shahada), deverá difundí-la com
frases tais como “Alláh, Tu és minha meta e Tua satisfação
é meu objetivo”, para ajudar a resgatar seus pensamentos das divagações.
Outros mestres dizem que esta regra significa “retorno” ou “contrição”,
por exemplo, retorno a al-Haqq por meio da contrição (INKISAR,
quebra do orgulho).
7 - NIGAH DASHT: Plena atenção - Ir além
da imaginação, não se prender à imaginação,
estar atento ao efeito do que surge da repetição da frase
abençoada, deixar que venha dela o que será observado.
8 - YAD DASHT: Recolhimento - Concentração na
Presença Divina, na condição de DHAWQ (zoq), sabor
sutil, antecipação intuitiva ou faculdade perceptiva, não
usando qualquer ajuda externa.
9 - WUQUF-E ZAMANI: Pausa do tempo - Controlando como se está
utilizando o próprio tempo. Se corretamente, e se for assim agradecer;
ou incorretamente, e se for assim pedir perdão, de acordo com a
lista das ações, pois verdadeiramente para Alláh as
boas ações dos virtuosos são as iniquidades de outros.
10 - WUQUF-E ADADI: Pausa dos números - Checando que
o dhikr do coração (dito no coração, silenciosamente)
seja repetido o número requerido de vezes, tomando conta dos seus
pensamentos errantes, dispersivos.
11 - WUQUF-E QALBI: Pausa do coração - Formação
da imagem mental de seu coração com o nome de Alláh
gravado nele, para enfatizar que o coração não tem
consciência nem outro objetivo que não Alláh. Este
é o significado da palavra “Naqshbandi” (Naqsh=gravado, bandi=povo).