NOS PASSOS DE ABRAHAM (IBRAHIM) (AS)

 

Texto baseado em palestra do Dr. Seyyed Hossein Nasr, editado por Alessandra Bain, e traduzido para o português por Amal Benato


O Hajj, a jornada a Makka e seus arredores, é  incumbência de todo muçulmano ao menos uma vez na vida. De acordo com a Tradição islâmica, muçulmanos seguem os passos de Abraham, conforme foram descritos pelo Profeta do Islam, Muhammad (saws). Estes deveres obrigatórios foram determinados pela palavra de Allah. O Hajj representa a renovação dos ritos abrahamicos no seio da tradição Islâmica.
O Hajj inclui várias atitudes, começando pela mudança do vestuário, das vestes normais do cotidiano e associadas ao mundo, à uma única peça de pano branco para os homens e um puro e simples vestido branco para as mulheres. Isto implica em fazer uma ablução completa, significando pureza interior e exterior. Também implica na circunvolução da Ka´aba, que para os muçulmanos não é meramente  um símbolo, mas a presença real do tempo primordial, o reflexo real do Trono de Allah na terra, visto e construído por Adam após sua queda do Paraíso. Abraham (as) não construiu  a Ka´aba; ele a reconstruiu. Foi reconstruída novamente durante os primórdios do período Islâmico, após as grandes enchentes do primeiro século e o final do período Umayyad, e novamente durante o período Abbasid. O Hajj também implica em viajar aos arredores de Makka, em três sítios principais: a Arafat, que é uma vasta planície, Mina e Muzdalifa, onde ficam os pilares simbolizando Shaytan, o demônio. Aí atira-se pedras nos pilares, novamente um ressurgimento do antigo rito semita.
O Hajj maior, anual, acontece durante quatro ou cinco dias, dependendo de quando comece. O Hajj menor, conhecido como Hajj al-umra, normalmente dura um dia e é  freqüentemente realizado por muçulmanos sempre que tenham a oportunidade de visitar a cidade sagrada. O final do Hajj é celebrado com um festival chamado id ul-adha, em árabe, que é normalmente traduzido por Celebração do Sacrifício. Esta idéia de sacrifício está no coração do Hajj.  O fato do filho de Abraham (Ismail) ter sido preparado para o sacrifício  é recontado, e ovelhas e camelos são sacrificados em memória disto; mas é o auto-sacrificio que devemos ter em mente. O Hajj implica em sacrifício; isto é difícil e deve permanecer difícil. Mesmo as ditas comodidades modernas, tais como hotéis com ar-condicionado e limusines resultaram em dificuldades ainda maiores para grande número de peregrinos. Novamente isto implica em sacrifício, dificuldade. O elemento sacrifício deve estar presente e é por isso que antigamente os muçulmanos costumavam rezar para morrer durante o Hajj.  Isto porque a pessoa que morre durante a peregrinação morre como mártir e o Paraíso está garantido para ela. É uma ocasião alegre e não triste, se um peregrino morrer a caminho de Makka. Portanto, a primeira imagem importante do id ul-adha é a idéia do sacrifício.
O segundo conceito mais importante é o da iluminação, ou luz. A palavra árabe Adha vem de uma raiz que significa  claridade ou iluminação. É através do sacrifico que somos, de fato, iluminados. A experiência do Hajj é também a experiência  da iluminação na qual o véu da opacidade que nos separa da Realidade Divina  é removido, pelo menos para aqueles que entendem o que o Hajj realmente significa.
O terceiro termo, que está relacionado com o segundo, diz respeito ao Dia do Julgamento, também conhecido como yawm al-adha. Um dos mais famosos trabalhos escritos pelo grande filósofo persa Ibn Sina ou Avicena, é Al-risalatu al-adhawiyya,  o tratado da ressurreição. Para o  pensamento islâmico clássico, o termo adha  está ligado `a ressurreição, renascimento e ressuscitamento. De acordo com o Profeta (saws), a pessoa que faz o Hajj pela primeira vez com uma intenção clara, sem querer ganhar dinheiro no bazar ou algo parecido, mas com a intenção de fazer o Hajj por Allah exclusivamente, tem seus pecados perdoados, e volta para casa purificada. Portanto, nossa intenção deve ser viver uma vida de pureza e virtude, o que realmente significa morte e ressurreição. A morte e ressurreição implícitas no Hajj  são uma premonição e um prelúdio para a Grande ressurreição no Dia do Julgamento.  De fato, o conglomerado de pessoas de todos os cantos do  mundo na grande planície de Arafat é uma imagem do Dia do Julgamento. Centenas de árabes, persas e outros poetas escreveram  sobre esta imagem onde, até onde a vista alcança não se pode ver nada além de seres humanos vestidos em branco, orando diante de Allah.
O Hajj é também uma jornada. Seu simbolismo mais profundo é a jornada da vida.
No  final desta jornada está a morte e o encontro com Allah. Não importa o que façamos neste período, sabemos onde vai dar o final da estrada. Não podemos evitar o encontro final com Allah, um final feliz para aqueles que são crentes.  A jornada para o Hajj é semelhante, onde o final da jornada é o encontro com a casa de Allah, a Ka´aba.  Para os muçulmanos isto representa estar diante do cubo do universo, ou o axis mundi, o eixo do mundo. Este é o local onde a presença de Allah é experienciada imediata e diretamente. É uma jornada em direção ao centro e em direção ao que nos orienta.
A Ka´aba é para os crentes o ponto de orientação, o espaço orientador de suas vidas.  Por exemplo, quando você entra em uma sala nova, deve se orientar em direção a Qiblah. Deste modo o espaço se orienta de uma certa forma, se polariza. Isto tem o mais profundo dos impactos psicológicos sobre aqueles que vivem uma vida islâmica, que vivem em um espaço sempre polarizado em direção a Makka. A Ka´aba é também o centro. O centro do mundo islâmico; o centro do plano terrestre; o centro do cosmos.  É também o centro, simbolicamente no microcosmo, de nós mesmos.  É por isso que o Profeta (saws)  disse em um hadith famoso que “o coração do crente é o trono da Divina Misericórdia, o Trono de Allah”. Portanto, o coração é a Ka´aba e este é um dos grandes temas espirituais no Islam ao longo de séculos. Há uma correspondência entre a jornada da vida mesma e o Hajj para aqueles que estão realmente presentes e entendem completamente, porque o fim de ambos é o encontro com Allah. Depois vem a ressurreição, o renascimento do ser humano.
Agora vamos nos voltar para alguns dos detalhes do Hajj, conforme se relacionam com a vida espiritual.  Todos os atos que o Hajj tenta nos colocar se referem a nossas vidas aqui e agora. Nós fazemos o Hajj porque pretendemos obedecer aos comandos de Allah. Gastamos milhares de dólares, nos separamos de nossas famílias, de nossos pertences; as preocupações do mundo sempre existem, não importa que seja uma pequena loja em Isfahan na metade do século 13 ou nosso computador em Chicago no final do século vinte. Ir para o Hajj significa cortar todas as ligações com o mundo ao nosso redor.
Isto é muito, muito difícil,  porque para se ir ao Hajj, de certa forma, cria-se um senso de estar ilhado, uma ilha temporal.

É significativo que vamos ao Hajj vestindo um shurud.

Por que fazemos isto? Porque queremos obedecer à vontade de Allah. Assim, o Hajj ele mesmo é a intenção de seguir os comandos de Allah.
Aqui, novamente, a atitude do Profeta Abraham (as) é significativa. Abraham (as) tornou-se o grande amigo de Allah, khalilullah, por causa de duas coisas. A primeira delas, a  perfeita fé, e a segunda, a perfeita entrega à vontade de Allah.
Al-Qur´an diz : “Kaana Ibrahim musliman hanifan”, Abraham (as) era membro da tradição primordial. Aqui a palavra muslim com certeza não significa o mesmo quando a usamos em português, ou seja, a pessoa  que pertence à revelação que foi dada ao Profeta do Islam (saws), no século sete da era cristã.  O significado aqui  se refere ao Islam primordial, ou a entrega à vontade Divina.. Neste verso,  Al-Qur´an define Abraham (as)  pela sua entrega à vontade divina. Todo o processo do Hajj é uma referência  a esta grande virtude do profeta Abraham (as). Esta virtude é de fato, característica do próprio Islam, essencialmente a entrega à vontade de Allah. O próprio nome Islam significa ao mesmo tempo paz e entrega, casa duas idéias e  cria a religião. Através da entrega à vontade de Allah você ganha paz. Tudo isto está contido na etimologia da palavra Islam. Isto é o centro da atitude que deve ser inculcada. Os movimentos entre Safa e Marwa, dois pequenos montes nos arredores da Ka´aba, simulam os movimentos  de Hagar, a mulher de Abraham (as), que procurava encontrar água  para seu filho, Ismail.  Ficamos então conscientes de que o Profeta (saws) trouxe esta velha tradição para o Islam, revivendo-a como parte da prática islâmica.
O que isto significa praticamente?  Significa que o Islam é uma reafirmação do monoteísmo primordial. Se o Islam não for isto, então não é nada.  Isto é, compreender completamente o significado do Islam é compreender que não há nada de novo no Islam, exceto sua finalidade. O núcleo desta mensagem é a renovação do que sempre existiu. Abraham (as), ele mesmo, conhecido como o pai do monoteísmo, foi de fato, um renovador de um monoteísmo que surgiu com Adam.  No Al Qur´an, quando Allah se refere a Adam e sua progenitude no famoso verso `Alastu bi rabbikum?´ (não sou eu seu Senhor?) toda a humanidade responde ´sim´, um ´sim´ muito dificil e, como resultado disto, aceitamos a grande responsabilidade e o peso de ser humano. Portanto, o estado adâmico implica  a aceitação do Senhorio e Vontade de Allah. Abraham não originou o monoteísmo. O monoteísmo começa com Abul Bashar, o pai da humanidade, o primeiro ser humano ele próprio. Originalmente, de fato, não era somente masculino, mas masculino e feminino. Adam e Eva juntos eram um só ser. A palavra hebraica Adam, originalmente contém este significado.
O  Hajj é uma confirmação da natureza primordial do Tawhid, a Unidade Divina, idéia muito enfatizada no Islam, de que ser humano é fundamentalmente sempre aceitar a Unidade de Allah. Isto está entranhado na substância da natureza humana.  Não importa o quanto isto tenha sido encoberto pela poeira e ferrugem do esquecimento e do mal, esta assertiva e reconfirmaçao  do Tawhid está em nossas almas. Tudo o que temos que fazer é remover  a ferrugem.
Para realizar o Hajj deve-se  colocar o ihram, isto é, retirar nossas roupas do dia-a-dia alguns quilômetros antes de Makka e colocar as duas peças de pano que devem ser dobradas, sem nós, botões, costuras ou zíperes. Deve-se tirar toda e qualquer jóia, tudo o que possa significar apego ao mundo.
O Hajj realmente começa com a morte, a morte no sentido do desapego. Para muitos, o primeiro ihram  é guardado para mais tarde servir como mortalha. É significativo ir ao Hajj já vestindo uma mortalha. A cor branca simboliza o desapego de todas as ataduras do mundo. Também simboliza unidade, uma forma de retorno à simplicidade com desapego.  Uma das coisas mais notáveis do Hajj é sua inabilidade em diferenciar um rei de um mendigo.  Todos são parecidos, toda distinção social é removida. É notável como uma vez que estas distinções  sejam removidas, lembramos do famoso verso corânico: “para Allah, o mais valoroso dentre vocês é o que mais O teme”. Taqwa não pode ser traduzido exatamente para o português; significa ao mesmo tempo virtude e medo de Allah. O que realmente distingue os seres humanos nao é seu status social, o apego ao mundo e suas atrações, mas o que estes são internamente, como eles se apresentam diante de Allah. Esta é uma das grandes lições do Hajj, aquela que é difícil de trazer.
Uma vez encerrado o Hajj, você toma seu banho e coloca suas roupas comuns novamente, uma pessoa entra num Mercedes Benz e outra monta num burrico. Estão de volta ás divisões da vida ordinária. O ideal é tentar manter algo daquela unidade, profundamente,  dentro de si mesmo, para o resto da vida. É impossível, numa sociedade,  não haverem diferenças. Isto está na nossa natureza como seres humanos. No entanto, o Hajj tenta criar pelo menos uma realização interna do quanto estas diferenças são transitórias. Quanto pode durar a riqueza do mundo? Pode ser perdida em um momento. O Hajj é uma boa lição para preparar uma pessoa para o que possa acontecer em suas vidas.
Voltando ao aspecto central do Hajj, o tawaf ou circunvolução da Ka´aba, você tem um mar de gente andando em torno de um centro estacionário, fixo. O que isto significa? É um rito profundo para aqueles que entendem seu significado interno.  Em primeiro lugar, é necessário entender a Ka´aba ela mesma. É uma estrutura simples, a mais simples que você pode ter. Não é um cubo perfeito, mas um tanto quanto retangular com a altura um pouco mais alongada que as outras dimensões. É coberta por um pano negro, chamado de kiswa. A kiswa  é pontilhada de negro com versos do Al Qur´an belamente bordados em ouro. A cor simboliza o fato de que Allah está além de qualquer concepção. É outra expressão para a frase Allahu Akbar ou la ilaha illa Allah. Allahu Akbar não significa somente que Allah é grande; significa que Allah é maior do que qualquer coisa que você possa dizer a respeito Dele. Isto é, qualquer coisa que você diga que Allah é,  Hu Akbar (Ele é maior). Este é o verdadeiro significado, mas a maioria das pessoas não pensa sobre isto deste modo. É uma outra fórmula para a expressão la illaha illa Allah.
A cor da Ka´aba é outra expressão da verdade de la illaha illa Allah. Está além de todas as cores, todas as formas. Porque nós vivemos num mundo de cores, e cores simbolizam formas. A cor preta transcende todas as cores. De um ponto de vista, o preto é concebido como o nada. De outro, o preto é a intensidade da luz. O preto está acima de todas as cores, não pela sua pobreza, mas pela sua transcendência. É a cor preta que sustenta o fruto dos versos de ouro do Al-Qur´an. O ouro simboliza o sol, a luz,  a Luz pela qual os versos do Al-Qur´an foram escritos. A kiswa é trocada todos os anos, cortada em pequenos pedaços  e dada como tabarruk (isto é, algo contendo as bênçãos Divinas) a dignatários e outros peregrinos.
A Ka´aba situa-se no centro, como uma presença de Allah, como um símbolo do templo primordial construído por Adam e posteriormente por Abraham, bem como pelo profeta Muhammad, que a paz esteja sobre todos eles. Por ordem do Profeta Muhammad  (saws), a Ka´aba foi purificada dos 360 ídolos que estavam dentro dela, reafirmando a natureza primordial do monoteísmo. Quando alguém caminha ao seu redor está na presença do imutável. Não evoluiu, não se modificou.Está além da temporalidade. Nós é que somos o temporal quando a rodeamos. A circunvolução é contrária aos movimentos da terra, o que significa que é contrária ao fluxo do tempo. O reverso do tempo no tawaf é o oposto da queda do homem, é uma reconstrução do estado humano em sua perfeição adâmica. Adam antes da queda viu os sinais de Allah por toda parte. Ele era o perfeito servo de Allah, o perfeito Muçulmano. Como resultado de sua desobediência, saiu do estado de perfeição. Todas as tentativas dos seres humanos são para retornar àquele estado de perfeição.
Finalmente,  desde o começo do Hajj  repete-se a frase em árabe: ´labbayk, Allahumma, labbayk´, isto é, ´ao Teu serviço, Senhor, ao Teu serviço´.  Durante o Hajj, nós asseveramos que somos servos de Allah. Esta de fato, é uma atitude que deve ser levada pela vida. Nós devemos sempre dizer labbaik. Devemos sempre dizer labbaik pelo próprio fato de existirmos, por termos vida. Allah também diz labbaik para nós. Allah, num certo sentido, também está a nosso serviço. Ele nos dá vida, derrama dons sobre nós. Nós vamos para a cama à noite esperando que pela manhã o sol surja e que não nos queime, e que a água não esteja tão fria a ponto de nos congelar as mãos. Esperamos que tenhamos comida o suficiente para comer e que quando pusermos o pedaço de pão na boca, este não se transforme em fogo em nossos estômagos. Nós simplesmente presumimos todas estas coisas pelo que chamamos de regularidade da vida, as chamadas leis da natureza. Portanto, também existe um labbayk Divino, e, num sentido ainda mais profundo, o labbaik do Hajj é nossa resposta ao labbaik de Allah.
Há uma bela estória sobre um muçulmano piedoso, um sufi. Ele invocava o nome de Allah em uma caverna, dizendo`Allah, Allah` o tempo todo. O demônio ficou muito perturbado por isto (como sempre fica quando os Nomes de Allah são mencionados). Então ele chega até o homem e tenta dissuadi-lo de invocar o Nome de Allah. O demônio diz a ele: por que você continua invocando? Todas as vezes que você disse ´Allah, Allah´, Allah alguma vez respondeu sim? Ele alguma vez lhe respondeu?` o homem ficou muito entristecido e ficou quieto. Imediatamente Allah  chamou o arcanjo Gabriel dizendo: ´o que aconteceu? Nosso servo não está mais invocando Nosso Nome? Vá até lá e verifique o que aconteceu´.  Gabriel então perguntou ao homem, que lhe contou a estória, e Gabriel a reportou a Allah. Allah disse a Gabriel: volte até lá e diga-lhe que todas as vezes que Nós lhe damos a força, a inteligência, e a consciência para dizer Allah, nós já respondemos sim à sua invocação.
Allah ele próprio diz ´labbaik´ por toda nossa vida. Ele nos deu existência, vida, todos estes dons, todos os elementos que nos fazem ser o que somos. Portanto, o ´labbaik, Allahumma, labbaik´ é uma afirmação muito mais profunda do que a maioria das pessoas pensa. Não é somente ´estou fazendo meu Hajj agora e obedecendo a Allah e depois esqueço disso´. É, num certo sentido, a realização da reciprocidade entre os dons Divinos e as atitudes que devemos ter em relação a eles.
Eu comecei falando do símbolo da Ka´aba como o coração. A jornada à Ka´aba é o símbolo externo de um ato ritual poderoso que deve servir como suporte à ainda mais profunda jornada ao centro de nosso ser. O Hajj real é a pessoa que faz uso desta oportunidade externa para ser capaz de se interiorizar. O Hajj mais difícil, muito mais difícil que caminhar pelos desertos como nos tempos antigos, é ir dos círculos externos de nossa existência ao centro, onde Allah reside dentro de nós por todos os tempos. Jesus (as) disse: o reino de Allah está dentro de você.  O Profeta do Islam (saws)  disse: o coração do crente é o Trono da Compaixão Divina, isto é, o Trono de Allah. Portanto, nós devemos alcançar este Trono.