Dois irmãos compraram um par de calçados e combinaram usá-los alternadamente. Mas quando chegaram em casa o irmão mais novo afirmou querer usá-los durante o dia. O irmão mais velho ficou muito aborrecido porque só poderia usar os sapatos à noite, o que o impediria de dormir. Os sapatos logo se gastaram. Disse o irmão mais novo: "Vamos comprar outro par". O irmão mais velho respondeu: "Chega de sapatos. Prefiro dormir à noite".
HISTÓRIA DE UMA GOTA DE CHUVA
Uma gota de chuva caiu de uma nuvem de primavera
e, vendo a grande extensão do mar, sentiu vergonha. "Onde está
o mar e onde estou eu?", refletiu. "Comparada com ele, na verdade,
eu não existo". Enquanto se julgava assim, com desdém,
uma ostra a tomou em seu regaço e o Destino lhe deu forma em sua
trajetória de maneira que uma gota de chuva se converteu, finalmente,
em uma famosa pérola real.
Foi exaltada porque foi humilde. Chamando à
porta da extinção, tornou-se existente.
Um quitandeiro tinha um aprendiz que, por ser vesgo,
via tudo duplo. Certo dia, o quitandeiro lhe disse: "Quero que vás
ao depósito e tragas a jarra de azeite que está na estante".
O aprendiz foi e retornou dizendo: "Há duas jarras, qual trago?"
O quitandeiro enfadou-se e disse com sarcasmo: "Rompa
uma e traga a outra!"
O aprendiz fez o ordenado, mas quando rompeu uma,
a outra desapareceu.
O sultão Harun ar-Rashyd perguntou a Bohlul
(o louco): "Em que ocasiões pensas em mim?"
Bohlul respondeu-lhe: "Sempre que esqueço
Alláh, me lembro de ti".
Um derviche foi a uma quitanda e pediu alguma coisa.
O quiitandeiro disse: "Nada tenho agora".
O derviche foi embora.
Perguntei ao quitandeiro: "Por que não
lhe destes alguma coisa?"
Ele respondeu: "Não estava destinado por
Alláh que recebesse alguma coisa".
Eu disse: "Alláh o destinou, mas você
não permitiu que acontecesse. Se tivesses posto tua mão na
caixa e a caixa te houvesse agarrado ou a tivesse machucado, de maneira
que não pudesses colher o que procuravas, então dirias que
Alláh não o queria."