
O insolente mendigou a um homem piedoso, mas este não tinha dinheiro
na sua casa. Caso contrário teria jogado ouro nele, como se pó
fosse. O espertalhão, portanto, saiu e começou a insultá-lo
na rua.
O olho de quem encontra faltas, não enxerga méritos.
Que consideração tem, quem atuou desonestamente, para com
a honra do outro?
Sendo informado dos seus impropérios, o homem piedoso sorriu
e disse: "Está bem, ele apenas numerou poucas, das minhas más
qualidades. O mal que supôs em mim, sei, certamente, que o tenho.
Somente faz um ano que me conhece, como pode saber as faltas de meus setenta
anos? Ninguém senão o Sapientíssimo sabe de minhas
faltas melhor do que eu. Nunca conheci alguém que me atribuísse
tão poucos defeitos. Caso ele testemunhe contra mim no dia do Juízo,
não terei medo. Se ele, que pensa mal de mim, procura revelar minhas
faltas, di-lhe que venha e tome nota de mim."
Seja humilde quando o véu da tua reputação é
arrancado. Se um cântaro fosse feito do pó dos homens, os
caluniadores o esmagariam a pedradas.
Na companhia de alguns religiosos mendicantes, entrei num palmeiral
de tâmaras em Basora. Entre eles havia um glutão. Disposto
à ação subiu a uma palmeira, e caindo de cabeça,
morreu.
O chefe da cidade perguntou: "Quem matou esse homem?"
"Fica tranquilo amigo -respondi-, caiu duma rama por causa
do peso do seu estômago".
Alguém, jogado na rua, chorava dizendo: "Quem, neste deserto,
está mais angustiado que eu?"
Um burro de carga respondeu: "Oh insensato, durante quanto tempo
lamentarás a tirania do destino? Vá embora e agradece que
apesar de que não montes num asno, você não é
um burro sobre quem os homens montam".