HISTÓRIA ILUSTRADORA DA LOUCURA DO INDIGNO

O insolente mendigou a um homem piedoso, mas este não tinha dinheiro na sua casa. Caso contrário teria jogado ouro nele, como se pó fosse. O espertalhão, portanto, saiu e começou a insultá-lo na rua.
O olho de quem encontra faltas, não enxerga méritos. Que consideração tem, quem atuou desonestamente, para com a honra do outro?
Sendo informado dos seus impropérios, o homem piedoso sorriu e disse: "Está bem, ele apenas numerou poucas, das minhas más qualidades. O mal que supôs em mim, sei, certamente, que o tenho. Somente faz um ano que me conhece, como pode saber as faltas de meus setenta anos? Ninguém senão o Sapientíssimo sabe de minhas faltas melhor do que eu. Nunca conheci alguém que me atribuísse tão poucos defeitos. Caso ele testemunhe contra mim no dia do Juízo, não terei medo. Se ele, que pensa mal de mim, procura revelar minhas faltas, di-lhe que venha e tome nota de mim."
Seja humilde quando o véu da tua reputação é arrancado. Se um cântaro fosse feito do pó dos homens, os caluniadores o esmagariam a pedradas.
 
 
 

HISTÓRIA DE UM GLUTÃO

Na companhia de alguns religiosos mendicantes, entrei num palmeiral de tâmaras em Basora. Entre eles havia um glutão. Disposto à ação subiu a uma palmeira, e caindo de cabeça, morreu.
O chefe da cidade perguntou: "Quem matou esse homem?"
"Fica tranquilo amigo -respondi-, caiu duma rama por causa do peso do seu estômago".
 
 
 

HISTÓRIA DE UM BURRO SÁBIO

Alguém, jogado na rua, chorava dizendo: "Quem, neste deserto, está mais angustiado que eu?"
Um burro de carga respondeu: "Oh insensato, durante quanto tempo lamentarás a tirania do destino? Vá embora e agradece que apesar de que não montes num asno, você não é um burro sobre quem os homens montam".
 
 

(Shaykh Saadi de Shiraz, Al-Bustan, "Jardim de Frutos")