"Um policial meio estúpido recebeu ordem de prender um monge que havia cometido um crime. Para não esquecer alguma coisa, o policial fez uma lista de tudo o que ia precisar para cumprir a missão: 'bagagem, guarda-chuva, canga para o preso, documentos, preso e eu'. E passava o tempo todo repetindo em voz baixa essa lista. O monge logo percebeu que o policial era abobalhado. Uma noite ele o embebedou, raspou-lhe a cabeça, transferiu a canga para ele e fugiu. Quando acordou, o policial lembrou-se da lista e começou: 'Vamos ver... bagagem, guarda-chuva...é, está certo.' Apalpou o pescoço: 'A canga também... os documentos também...' De repentese assustou: 'Hei, e onde está o monge?' Passou a mão na cabeça e se acalmou: 'Puxa, que susto! O monge também está aqui.' De repente, novo susto: 'E eu, onde estou?'" 


                                              (O Correio da UNESCO, no. 6, Junho de 1976)

 

                                                                              GOLPE DE SORTE

Nasrudin perdeu o jumento e saiu à procura dele dizendo o tempo todo:
- Graças a Deus! Graças a Deus!
- Por que graças a Deus? - perguntavam as pessoas.
- Porque eu não estava montado no jumento quando ele se perdeu. Se estivesse, eu estaria perdido também.

(idem)

 

CAÇADOR

Alguém consultou Afanti:
- Há anos que caço, mas não compreendo porque os outros caçadores mantêm um olho aberto e o outro fechado enquanto apontam antes de disparar.
- Tens de fazer o mesmo, - respondeu Afanti - se cerras os dois olhos não verás nada.
 

                                                                                                    (Histórias de Afanti - este é o nome de Nasrudin na China, Zhao Shijie)