ENSINAMENTOS DOS MESTRES DE SABEDORIA
 
 
Profeta Muhammad (saws) (570-632): "Quem conhece a si mesmo, conhece a seu Senhor".

Abu Bakr as-Siddiq (m. 634): "Oh Alláh! me conheces melhor do que me conheço. Eu me conheço melhor do que me conhece essa gente que me louva. Faça-me melhor do que eles pensam de mim. Perdoe estes pecados meus dos quais eles não tem conhecimento. Não me faças responsável pelo que dizem".

Salman al-Farsi (m. 654): O Profeta Muhammmad (saws) estebeleceu um laço de irmandade entre Salman al-Farsi e Abu Darda al-Ansari. Salman visitou Abu Darda e encontrou Umm Darda (sua esposa) vestida com roupa gasta. Perguntou-lhe porque estava nesse estado, e ela disse: "Teu irmão Abu Darda não está interessado nos luxos deste mundo". Pouco depois Abu Darda chegou e preparou uma comida para Salman. Este pediu que comesse com ele, mas Abu Darda respondeu que estava jejuando. Salman respondeu: "Se não comeres comigo, não comerei". Então Abu Darda sentou-se para comer com seu amigo. Já de noite e transcorrida uma parte da mesma, Abu Darda levantou-se  (para realizar a oração noturna opcional), mas Salman lhe disse que seguisse dormindo, e Abu Darda dormiu. Logo depois, Abu Darda tentou levantar-se novamente, mas Salman lhe disse que continuasse dormindo, e Abu Darda novamente dormiu. Já nas últimas horas da noite, Salman lhe disse que levantasse e ambos realizaram a oração. Salman disse a Abu Darda: "Teu Senhor tem direito sobre ti, tua alma tem direito sobre ti, e tua família tem direito sobre ti". Abu Darda narrrou esta história ao Profeta Muhammad (saws), e ele respondeu, "Salman disse a verdade".

Qassim ibn Muhammad ibn Abu Bakr (m. 726): Algumas pessoas foram ter com al-Qassim e lhe entregaram suas doações. Este, após distribuí-las, foi rezar. Enquanto o fazia, alguns começaram a caluniá-lo. E seu filho os recriminou, "Estão falando por trás de um homem que entregou suas caridades e não ficou nem com uma moeda para si mesmo." Rapidamente al-Qassim o repreendeu dizendo, "Não fales! Fique calado!" Assim, queria ensinar seu filho a não defendê-lo, já que seu único desejo era comprazer a Alláh. A opinião das pessoas não lhe preocupava.

Imam Ja'far as-Sádiq (702-765): "Nossa causa é um segredo dentro de um segredo, o segredo de algo que permanece oculto, um segredo que somente outro segredo pode ensinar; é um segredo sobre um segredo que se mantém  de um segredo".

Sultan -l 'Arifin Abu Yazid al-Bistami (800-875): "Durante doze anos fui o ferreiro de meu ego. Por cinco anos fui o polidor do espelho de meu coração. Durante um ano olhei meu espelho e vi sobre minha cintura a atadura de minha incredulidade. Tentei cortá-la. Investí doze anos neste esforço. Depois olhei no espelho e vi que a atadura estava dentro de meu corpo. Investi cinco anos em cortá-la. Então, estive um ano contemplando o que tinha feito. Alláh abriu para mim a visão de todas as criações. As vi todas mortas. Rezei quatro exaltações da oração fúnebre para elas".

Abul Hassan 'Ali ibn Ja'far al Kharqani (m.1033): Certo dia lhe perguntaram quem era a pessoa apropriada para falar acerca do aniquilamento (Faná) e da subsistência (Baqá). Ele respondeu: "Esse conhecimento pertence àquele que pende do céu num fio de seda. E logo chega um tornado e arranca todas as árvores e casas e montanhas e os joga no oceano até que este transborda. Se o tornado não pode balançar aquele que pende do fio de seda, então esse é quem tem autoridade para falar de aniquilamento e de susbsitência".

Abu 'Ali al-Farmadi at-Tusi (m.1084): "Quem vigie as ações das pessoas perderá seu caminho".

Khwaja Abu Yaqub Yusuf al-Hamadani (1048-1140): "A abertura do dom de audição espiritual nos amigos de Alláh ( Awliya) é como uma mensagem desde a Realidade, um capítulo no Livro de Alláh, uma benção do conhecimento do invisível. É o começo da abertura do coração e a desaparição de seus véus -boas novas das estações celestiais! É o amanhecer do entendimento dos significados Divinos. Esta audição é sustento para o espírito e vida para o coração. É a subsistência do segredo. Alláh se faz a Si Mesmo testemunha das visões de seus servos escolhidos, e os enfeita com seus Benditos Atos e os decora com Seus Atributos. De Seus Awliya Ele faz com que um grupo escute através de Seu Elevado Testemunho. Faz com que outros ouçam através de Sua Única Unicidade. Faz com que outro grupo escute através de Sua Misericórdia. E faz com que alguns escutem através de Seu Poder".

Sayyidina Al-Khidr, Abul 'Abbas (as): "E encontraram-se com um dos Nossos servos (al-Khidr), que havíamos agraciado com Nossa misericórdia e iluminado com Nossa ciência. E Moisés lhe disse: posso seguir-te para que me ensines a verdade que te foi revelada? Respondeu-lhe: Tu não serias capaz de ser paciente para estares comigo. Como poderias ser paciente em relação ao que não compreendes? Moisés disse: Se Alláh quiser, achar-me-á paciente e não desobedecerei às tuas ordens. Respondeu-lhe: Então segue-me e não me perguntes nada, até que eu te faça menção disso. Então, ambos se puseram a andar, até embarcarem em um barco, que o desconhecido perfurou. Moisés lhe disse: Perfuraste-o para afogar seus ocupantes? Sem dúvida que cometestes um ato insólito! Retrucou-lhe: Não te disse que és demasiado impaciente para estares comigo? Disse-lhe: Desculpa-me por me ter esquecido, mas não me imponhas uma condição demasiado difícil. E ambos se puseram a andar, até que encontraram um jovem, o qual (o companheiro de Moisés) matou. Disse-lhe então Moisés: Acabas de matar um inocente, sem que tenha causado a morte a ninguém! Eis que cometestes uma ação inusitada. Retrucou-lhe: Não te disse que não poderás ser paciente comigo? Moisés lhe disse: Se da próxima vez voltar a perguntar algo, então não permitas que te acompanhe, e me desculpa. E ambos se puseram a andar, até que chegaram a uma cidade, onde pediram pousada a seus moradores, os quais se negaram a hospedá-los. Nela, acharam um muro que estava a ponto de desmoronar e o desconhecido o restaurou. Moisés lhe disse então: Se quisesses, poderias exigir recompensa por isso. Disse-lhe: Aqui nós nos separamos; porém, antes inteirar-te-ei da interpretação, porque tu és demasiado impaciente para isso. Quanto ao barco, pertencia aos pobres pescadores do mar e achamos por bem avariá-lo, porque atrás dele vinha um rei que se apossava pela força, de todas as embarcações. Quanto ao jovem, seus pais eram fiéis e temíamos que os induzisse à transgressão e à incredulidade. Quisemos que o seu Senhor os agraciasse em troca, com outro mais puro e afetuoso. E quanto ao muro, pertencia a dois jovens órfãos da cidade, debaixo do qual havia um tesouro seu. Seu pai era virtuoso e teu Senhor tencionou que alcançassem a puberdade, para que pudessem tirar o seu tesouro. Isso é do beneplácito de teu Senhor. Não o fiz por minha própria vontade. Eis a explicação daquilo em relação ao qual não fostes paciente." (al-Qur'an, XVIII, 65-82)
Na recompilação de Ahadith "Sahih al-Bukhari", tomo IV, pag. 406, é narrado que o Profeta (saws) disse, "al-Khidr (o Homem Verde) foi chamado assim porque uma vez sentou-se numa terra branca e desértica,  depois do qual tornou-se  exuberantemente verde com vegetação". O importante papel de al-Khidr como iniciador de Awliya pode ser ilustrado pela importância de seu papel como iniciador de profetas, particularmente o Profeta Moisés. Al-Khidr preservou e manteve a realidade da Cadeia Dourada até que o próximo elo na cadeia, Abdu-l Khaliq al-Ghujdawani, pode assumir sua destinada Estação.

Khwaja 'Abd ul-Khaliq al-Ghudjawani (1100-1179): "Oh meu filho! te encorajo a adquirir conhecimento e conduta reta e temor a Alláh! Segue os pasos da piedosa primeira geração muslim. Apega-te à Sunnah do Profeta (saws) e mantenha-te em companhia dos crentes sinceros. Estuda jurisprudência, as Tradições e o comentário al-Qur'ánico. Evita os charlatões ignorantes e cumpre as orações prescritas em congregação. Cuidado com a fama e seu perigo. Fica entre as pessoas comuns e não procures hierarquia. Não estabeleças amizade com reis e seus filhos nem com os inovadores. Mantêm silêncio. Não comas excessivamente. Foge das pessoas como fugirias dos leões. Mantem-te em reclusão. Come o alimento lícito e deixa as ações duvidosas, exceto na extrema necessidade. Afasta-te do amor a este mundo, já que pode chegar a fascinar-te. Não rias muito, já que rir muito será a morte do coração. Não humilhes ninguém. Não louves a ti mesmo. Não discutas com as pessoas. Não peças nada a ninguém, exceto a Alláh. Não peças ser servido. Serve a teus shuyukh com teu dinheiro e habilidades. Não critiques suas ações. Que tuas ações sejam sinceras e que a intenção das mesmas somente seja para Alláh. Reza a Ele com humildade. Que tuas preocupações sejam a jurisprudência, tua mesquita tua casa, e teu Amigo teu Senhor". (Carta de Khwaja 'Abd ul-Kháliq, a seu filho al-Qalb al-Mubarak Shaykh Awliya al-Kabir).

Khwaja 'Arif ar-Riwgarawi (m.1239): "Confia em Alláh até Ele te converter em teu próprio mestre".

Khwaja Mahmud  al-Anjir al-Faghnawi (m.1317): "Dhikr (recordação de Alláh) em voz alta é para quem deseja purificar sua língua da mentira e da calúnia, libertar suas ações privadas do que está proibido, limpar seu coração do orgulho e do amor à fama".

Kwaja 'Azizan 'Ali ar-Ramitani' (m.1321): "Para o principiante é melhor que (o Dhikr) seja pelos lábios, e para o murid (discípulo) que seja pelo coração. Isto é porque para que o principiante recorde a Alláh deve fazer enorme esforço, já que seu coração está distraído e instável é melhor que use os lábios. Mas o murid já poliu seu coração e este é facilmente afetado pelo Dhikr. Todos os seus órgãos se convertem em recordadores, e todo o corpo do murid, interna e externamente, recorda a Alláh a cada momento. O Dhikr de um dia do murid equivale ao Dhikr de um ano do principiante".

Kwaja Muhammad Baba as-Samasi (m.1354): "O buscador tem que esforçar-se sempre para manter as Ordens Divinas de Alláh. Deve estar continuamente em estado de pureza. Primeiro, deve ter um coração puro que não olhe outra coisa que Alláh,Todopoderoso e Exaltado. Depois, deve manter puro seu interior, aquilo que nunca é revelado a alguém e que percebe a verdadeira visão. A pureza no peito consiste na esperança e satifação na sua vontade. A pureza de espírito consiste em modéstia e reverência. A pureza do estômago de comer somente o alimento permitido, como também da abstinência. Isto é seguido da pureza do corpo, que é abandonar o desejo. Isto é seguido da pureza das mãos, que é devoção e esforço. Depois vem a pureza dos pecados que é o lamento e arrependimento por ações erradas do passado. Depois disto está a pureza da língua, que consiste no Dhikr e em pedir perdão. Depois deve purificar-se a si mesmo da negligência e das fraquezas, desenvolvendo temor ao Além".

Kwaja Sayyid  Amir Kulal (m.1370): Quando jovem treinava luta. Praticou todas as técnicas até converter-se em um dos lutadores mais famosos de seu tempo. Certa vez, um homem o viu lutando e o seguinte pensamento entrou em seu coração, "Como uma  pessoa que descende do Profeta e profundamente conhecedora da Shariat e o Tariqat está praticando este esporte? "Imediatamente esse homem caiu em sono e sonhou que estava no Dia do Juízo Final, e se encontrava com Sayyid Amir. Sentiu que estava em dificuldade e que se afogava. E o Shaykh Amir Kulal o resgatava da água. Acordou frente ao shaykh, que lhe disse, "Pudestes observar meu poder na luta e meu poder na intercessão?".
 
Khwaja Muhammad Baha'uddin Sha Naqshband (1317-1388): "Ao começo de minha viagem por este Caminho, conhecí um amante de Alláh que me disse: "Parece que és dos nossos". E respondí, "Espero que tu sejas dos nossos, e espero ser teu amigo". Em certa oportunidade perguntou-me, "Como tratas a ti mesmo?". Disse-lhe, "Se recebo alguma coisa, agradeço a Alláh; caso contrário, fico paciente". Ele sorriu e contestou, "Isso é fácil. O caminho para ti é atormentar o teu ego e testá-lo; se não comes durante uma semana, tens que poder impedir que te desobedeça". Fiquei contente com sua resposta e pedí sua ajuda. Ordenou-me que socorrera aos necessitados e que motivara o coração dos sofredores. Ordenou-me que mantivera a humildade, a modéstia e a tolerância. Segui suas órdens e assim passei muitos dias de minha vida. Depois ordenou-me que cuidara dos animais, que curara suas doenças, que tratara suas feridas e os ajudara na procura de seus alimentos. Segui neste caminho até que cheguei a um estado que ao ver um  animal na rua, parava para lhe ceder o passo.
"Ele me ordenou que cuidara dos cães com veracidade e humildade, e que a eles mesmos pedisse apoio. Me disse, "Como consequência de teu serviço a um deles, alcançarás enorme felicidade". Aceitei a ordem com a esperança de poder encontrar o cão. E certo dia em que me achava com um dos animais, senti grande alegria. Comecei  a chorar na sua frente até que ele deitou de costas e alçou suas patinhas ao céu. Ouví uma voz triste saindo dele. Então, levantei minhas mãos em súplica e agradeci repetindo "Amin" até ele ficar em silêncio. Nesse momento, abriu-se para mim uma visão que me levou a um estado onde senti que era parte de cada ser humano e de cada criação nesta Terra".

Khwaja Ala'udddin Attar (m.1400): "Quando Alláh te faz esquecer tanto o poder mundano como o Reino Celestial, isto é aniquilamento absoluto. Se te faz esquecer o aniquilamento absoluto, esta é a essência do aniquilamento absoluto".

Shaykh Yaqub ash-Sharkhi (m.1447): "Há uma frase do Profeta (saws) que diz que quando Alláh faz de uma pessoa seu amigo, essa amizade tocará os corações de todos os que estão à sua volta".

Hadrat Khwaja Ubaydullah al-Ahrar (1404-1490): "O Sufismo exige de ti que carregues o peso dos outros, e que não ponhas o teu sobre nenhuma outra pessoa".

Shaykh Muhammad az-Zahid al-Bukhari (m.1529): "Meu shaykh (Ubaydullah al-Ahrar) costumava falar sobre espiritualidade e conhecimento secreto. Sempre dirigia o discurso para mim, e um dia perguntou, "Quando me escutas falar sobre as Realidades Divinas, isto causa algum conflito com as crenças que recebestes de teus pais, teus mestres e dos eruditos?" Eu disse, "Não, meu shaykh". Ele respondeu, "Então és um daqueles com quem podemos falar".

Darwish Muhammad as-Samarqandi (m.1562): Certa vez depois de um encontro, seu mestre, o Shaykh Muhammad az-Zahid, lhe disse que subisse a uma colina e ali o aguardasse, que ele iria mais tarde. Darwish Muhammad fez o que lhe fora indicado. Chegou a hora da oração da tarde, e o Shaykh não chegava. Depois, o tempo da oração da noite, e seu ego lhe disse, "Teu shaykh não vem. Tens que retornar. Talvez ele tenha esquecido". Mas seu verdadeiro Ser se fez ouvir, "Oh Darwish Muhammad, acredita em teu shaykh. Acredita que certamente está a caminho, tal como disse. Deves aguardar".
Chegou a noite e na colina fazia frio. Passou a noite toda acordado. Por única fonte de calor tinha seu Dhikr, la illaha ill-Alláh. Amanheceu, e o Shaykh não chegara. Ficou com fome e começou a procurar o que comer. Achou árvores frutíferas. Comeu e continuou a esperar seu mestre. O dia passou, e depois o próximo. Novamente entrou em confronto com seu ego, mas continuava pensando, "Se meu shaykh é um verdadeiro shaykh, sabe o que está fazendo".
Acabou a semana, e depois o mês. Do shaykh, nada. A única distração era o Dhikr Alláh,  e suas orações diárias sua única atividade. Assim fez até que o poder de seu Dhikr fez com que os animais se aproximassem e fizessem Dhikr com ele. Compreendeu que esse poder miraculoso vinha de seu guia.
Arribou o inverno e o shaykh não aparecera.Começou a nevar. Estava extremamente frio. Não havia alimentos. Cortou a cásca das árvores e se alimentou com a humidade que havia dentro. Comia raízes e qualquer folha verde que encontrava. Os servos vinham estar com ele, e ele ordenhava o seu leite. Este foi outro milagre. E assim foi elevado a níveis espirituais cada vez mais altos. Seu mestre lhe enviou conhecimento espiritual através destes milagres. Al-Khidr (as) lhe apareceu passando ensinamentos.
Passou um ano, depois outro, logo o terceiro...o shaykh não vinha. Mas ele continuava pacientemente, "Meu mestre sabe o que faz". Finalizando o sétimo ano, sentiu o perfume do seu shaykh preenchendo todo o espaço. Correu na direção de onde emanava, acompanhado dos animais selvagens. Os cabelos cobriam seu corpo. E o Shaykh Muhammad az-Zahid chegou. Ao vê-lo, imensa alegria brotou em seu coração. Correu e beijou-lhe a mão enquanto chorava, "As Salaam Alaykum, Oh meu mestre! Quanto o amo, Oh meu shaykh!". E o guia lhe disse, "O que fazes aqui?". Ele respondeu, "Oh meu shaykh! Tu dissestes que viesse aqui e te aguardasse, e assim o fiz". E o mestre contestou, "E se estivesse morto ou esquecesse?". Darwish Muhammad disse, "Oh meu shaykh, como esquecerias se és representante do Profeta (saws)"? E obteve como resposta, "E se tivesse acontecido alguma coisa?". O discípulo disse, "Oh meu shaykh!, se não tivesse aqui permanecido, esperado e obedecido não terias vindo com autorização do Profeta (saws)". O Shaykh sorriu e disse, "Vem comigo". E nesse momento verteu em seu coração o segredo da Cadeia Dourada da Ordem Sufi Naqshbandi. E lhe ordenou que fosse shaykh de seus próprios discípulos.

Mawlana Muhammad Khwaja Kil Amkanaki as-Samarqandi (m.1599): "O buscador não deve ficar distraído pelos detalhes da criação. Ele tem que dirigir o poder do coração para o Um cuja Realidade tudo abarca".

Khwaja Muhammad al-Baqi Billah (1564-1605): "Oh Sayyid! Um gnóstico ('Arif) de elevado grau costumava dizer, "Ser dervishe é corrigir a imaginação". Em outras palavras, nada mais que o Real deve permanecer no coração. Certamente disse bem. Oh Sayyid! Já que o véu não é nada mais que a imaginação, noite e dia deves passar imaginando a Unicidade" (Do filho do Shaykh al-Baqi, Khwaja Khurd).

Imam Rabbâni Shaykh Ahmad al-Faruqi Sirhindi Mujaddidu-l Alfi-th Thani (1563-1624): "Na viagem que conduz ao descobrimento das Divinas Realidades, o buscador passa por diferentes estados (Ahwál, sing. Hal) de conhecimento e proximidade a seu Senhor.
"Movendo-se para Alláh, é um movimento vertical desde as estações (Makámat, sing. Makám) inferiores às estações mais elevadas, até que o movimento ultrapassa o tempo e o espaço e todos os estados se dissolvem naquilo denominado o necessário conhecimento de Alláh. Isto também chama-se aniquilamento;
"Movendo-se em Alláh, é o estado no qual o buscador move-se desde o estado dos Nomes e os Atributos, a um estado que nem a palavra nem o signo podem descrever. Este é o estado de subsistência em Alláh;
"Movendo-se desde Alláh, é o estado desde o qual o buscador volta desde o mundo celestial ao mundo de causas e efeitos, descendo da mais elevada estação de conhecimento à mais baixa. Aqui esquece Alláh por Alláh, e conhece a Alláh com Alláh, e retorna de Alláh a Alláh. Isto chama-se o estado do mais afastado e o mais próximo;
"Movendo-se nas coisas, é um movimento dentro da criação. Isto envolve conhecer todos os elementos e estados neste Mundo após me dissolver no aniquilamento. Aqui o buscador deve alcançar o estado de guia, que é o estado dos profetas e das pessoas que seguem os passos do Profeta (saws). Traz o Divino Conhecimento no mundo da criação para estabelecer a guia".

Muhammad Ma'sum bin Ahmad al-Faruqi Sirhindi (1599-1688): "Vejo a mim mesmo -disse a seu pai, Shaykh Ahmad al-Faruqi Sirhindi-, como uma vida que se movimenta em cada átomo dos átomos desses universos. E esses universos tomam luz, assim como a terra toma luz do sol".

Muhammad Sayfuddin (1645-1684): "Aqueles que ouvem a flauta de cana e não sentem compaixão e emoção estão vazíos. Mas quando nós escutamos algo belo, ficamos tão emocionados que imediatamente somos transportados à Divina Presença".

Sayyid Nur Muhammad al-Badawani (1664-1723): "O alimento de uma pessoa orgulhosa e rica contém escuridão".

Shamsudddin Habib Alláh Jan-i-Janan al-Mazhar (1701-1781): "A Existência é um Atributo exclusivamente de Alláh. Este mundo é uma sombra de realidades existindo na Divina Presença. A realidade de todas as possíveis criações resulta da ação dos Divinos Atributos e Qualidades no vazio. A Real Existência de tudo manifesta-se na criação física e confirma-se como uma luz na Divina Presença.
"Tudo o que aparece na criação física é somente sombra da luminosa realidade projetada pelas Divinas Qualidades sobre o vazio da não-existência. O Mundo dos Divinos Atributos é a origem dos mananciais dos universos criados. Porque toda a criação física surge de uma combinação de Qualidades Divinas de Alláh e o vazio, a criação tem duas origens de natureza oposta. Desde a natureza do vazio da não-existência e o nada surgem as duas qualidades da substância física que na esfera da ação humana produzem a escuridão, a ignorância e o mal. Dos Atributos Divinos vem a luz, o conhecimento e o bem. Portanto, o Sufi quando olha a si mesmo vê tudo o que é bom nele como uma luz do Divino que se reflete sobre ele, porém isso não é dele. Um exemplo poderia ser um traje fino que se toma emprestado e com o qual o buscador é belamente enfeitado, mas que realmente não é dele, pelo que não merece crédito algum. Ao contrário, ele se vê a si mesmo como substância base, cheio de escuridão e ignorância, com uma natureza pior do que a de um animal. Com esta percepção dual ele afrouxa seu apego às atrações do ser e apaga a si mesmo, e se volta arrependido à Fonte Divina de todo bem.  Ao se voltar a Ele, Alláh preenche seu coração de amor e anelo pela Divina Presença. Assim como Alláh disse na Sagrada Tradição, "Se Meu servo se aproxima de Mim à distância de um braço, Eu me aproximo dele à distância de uma mão; se vem a Mim caminhando, Eu vou a ele correndo.""

Shaykh 'Abd Alláh ad-Dahlawi (Sha Ghulam 'Ali) (1745-1825): "Os homens são de quatro categorias: aqueles que são apenas humanos, já que somente pedem por este mundo; aqueles que pedem pelo além; os humanos maduros que pedem pelo além e por Alláh; os humanos especiais que somente pedem por Alláh".

Mawlana Khalid al Baghdadi (1779-1827): Estando na cidade do Profeta (saws), procurou alguém de singular devoçaõ para dele tomar conselhos. E achou um shaykh "a quem lhe pedí que me aconselhara, um conselho de um sábio erudito a uma pessoa ignorante. Me advertiu que ao ingressar em Makka, não censurasse assuntos que pudessem parecer contrários à Lei Divina, senão que ficasse calado. Cheguei à Makka e mantive este conselho no coração. Fui à Mesquita Sagrada, na manhã de sexta-feira. Sentei perto da Kaaba lendo o Dalal al-Khayrat (livro de orações sobre o Profeta (saws) escrito pelo Imam Sidi Muhammad al-Jazuli), quando vi um homem de barba negra apoiado numa coluna, me olhando. Veio ao meu coração o pensamento de que esse homem não demostrava o respeito apropriado para a Kaaba, mas nada lhe disse. Encarou-me, "Oh ignorante, acaso não sabes que a honra do coração de um crente é muito mais que o privilégio da Kaaba? Porque me criticas em teu coração por ficar de costas à Kaaba e com meu rosto para ti? Acaso não escutastes o conselho de meu shaykh em Madina, dizendo que não criticasses?". Corri na sua direção, pedí perdão, beijei suas mãos e pés e pedi-lhe que me guiasse a Alláh".

Shaykh Ismail ash-Shirwani (1787-1840): "Quem escuta palavras sábias e não as aplica, é um hipócrita".

Khas Muhammad ash-Shirwani (1789-1844): "A Ordem Sufi Naqshbandi está apoiada em quatro regras de comportamento:  Não fales exceto quando te é pedido;  Não comas, a menos que estejas débil de fome;  Não durmas, a menos que te vença a fadiga;  Não fiques calado quando estejas em Sua Presença (pede incessantemente a Alláh)".

Shaykh Muhammad Effendi al-Yaraghi (1777-1848): "A depressão no coração vem de três enfermidades: perda de harmonia com a natureza; manter costumes com os quais foi criado e que são contrários ao caminho da Sunnah e manter a companhia de gente corrupta".

Sayyid Jamalu-d din al-Ghumuqi al-Husayni (1778-1869): "Permanece em teu coração com Alláh Todopoderoso e Exaltado, e permanece em teu corpo com as pessoas, porque aquele que se afasta da gente ficará isolado do grupo. Aquele que se isola do grupo, cairá na ignorância. Aquele que utilize seu segredo para ser exaltado entre as pessoas cairá em provações e tentações e será velado da Presença de seu Senhor".

Abu Ahmad as-Sughuri (m.1882): "Sufi é quem deixa para trás o mundo, deixa para trás o além, deixa para trás a Divina Presença, e se submete somente a Ele".

Abu Muhammad al-Madani (1835-1913): Numa noite 27a. de Ramadan, Lailat ul-Qadr, Abu Muhammad al-Madani liderava o Dhikr de sua aldeia e de repente disse, "Todos estão engajados no Dhikr, todos os animais fazem dhikr conosco. As minhocas estão fazendo dhikr conosco. Os pássaros estão fazendo dhikr. Cada ser desta aldéia está fazendo dhikr, exceto um animal que está desconectado de seu pai e está deprimido. Alláh não está feliz, o Profeta (saws) não está feliz, os Awliya não estão felizes, e tudo isto pela brincadeira de uma criança". Conversou com o dono da casa onde acontecia o Dhikr, "Va até teu filho e pergunta a ele o que guarda na caixa". O homem foi até o menino e lhe perguntou, "Que tens dentro da caixa? Que animal aprisionastes?". Confusa, a criança perguntava , "Que caixa? Somente tenho uma caixinha onde coloquei uma minhoquinha".
Ao que seu pai lhe pediu, "Pega a minhoquinha e a devolve à terra".

Shaykh Sayyid Sharafuddin ad-Daghestani (1875-1936): "O momento mais feliz para um ser humano é quando morre, porque ao morrer, seus pecados morrem com ele".

Sultanu-l Awliya' Mawlana 'Abdu-lláh al-Fa'izi ad-Daghestani (1891-1973): Nosso Grandeshaykh disse "Não lhes falo sobre nenhuma Estação (Makâm), manifestação ou hierarquia (Rutbah) sem ter entrado nessa estação ou hierarquia ou experimentado essa manifestação. Não sou como tantos outros. Eu não falo afastando a vista do coração, numerando as estações (Makâmât) sem conhecer sua Realidade. Não! Primeiramente segui esse caminho e vi o que era. Aprendi essas Realidades e Segredos que podem se encontrar através dele. Trabalhei por meio deste caminho até que obtive o Conhecimento da Certeza ('Ilmu'l-Yaqin), o Olho da Certeza ('Ainu'l-Yaqin) e a Verdade da Certeza (Haqqu'l-Yaqin). Somente assim lhes falo, dando-lhes uma pequena amostra do que degustei. Até posso fazê-los chegar a essa Estação sem cansá-los e sem dificuldades".

Shaykh Nazim al-Haqqani an-Naqshbandi: "Uma pessoa interessada no caminho Sufi, no Tariqat, deve ser séria, tão séria quanto lhe seja possível. Porque ser sério abre qualquer porta dificil, já que uma pessoa assim, será paciente. Se uma pessoa não é paciente, nunca chega a sua meta. Portanto, depois da primeira condição para seguir o caminho Sufi ou o Tariqat, - buscar um Shaykh como guia -, a pessoa deve ser paciente e deve praticar a paciência. Este é o meio mais importante para que alguém alcance estações celestiais. Sem paciência não conheço ainda pessoa alguma que haja alcançado elevadas Estações nas posições sagradas. Assim, o caminho Sufi pede paciência, tanta como seja possível, aos que se interessam por Tariqat. Esta é a chave para qualquer estação celestial".
 
 
       Bibliografia, "The Naqshbandi Sufi Way", Shaykh Muhammad Hisham Kabbani, Kazi Publications, Inc., USA, 1995)